29 de fevereiro de 2012

Vidas Inocentes - Parte 31


*** Carolina ***


Eu já estava á espera que ele reagisse assim, mas podia parar de pensar tanto nele, e pensar um bocado em mim.
Sentei-me na cama a pensar se lhe devia mandar uma mensagem, ou esperar que a poeira pousasse. Aparece o Mário.

Mário- Então miúda, paraste no tempo ?
Carolina- Como é que entraste ?
Mário- Porta das traseiras fofinha.
(Sorri)
Mário- Que olhar triste é esse ?
Carolina- Nada que não se resolva.
Mário- Estou aqui. Fala.
Carolina- É o meu namorado. Contei-lhe que tenho estado contigo e ele ficou chateado. Acusou-me de o estar a trair.
Mário- A tua consciência está tranquila ?
Carolina- Claro!
Mário- Então dá tempo ao tempo. Ele irá cair na realidade. Agora anda, tenho uma coisa para te mostrar.

Não pensei duas vezes, levantei-me e fui com ele. Devia ser longe, pois fomos de carro.
Carolina- Onde me vais levar ?
Mário- Aposto que vais gostar.
Tivemos dentro do carro uns 30 minutos, e chegamos ao nosso destino. Não precisei de palavras, percebi logo onde estávamos. Um miradouro que eu e o Mário, costumávamos sempre lá ir almoçar, e que por acaso, a minha mãe também ia lá muita vez comigo e com a Maria. Senti logo um arrepio, e fiquei com cara séria.
Mário- Só vamos, se te sentires preparada.
Sorri-lhe e saí.
Ele aproximou-se e deu-me a mão.
Mário- Estou contigo.
Era a frase que mais ouvia da boca dele. Seguimos para a esplanada, almoçámos, e depois fomos sentar-mos-nos na relva. Deitei a cabeça no colo do Mário, e ficamos assim muito tempo calados.
Mário- Estás a pensar em quê ?
Carolina- Em tudo o que passei aqui. Eu e tu, a minha família, os meus amigos.
Mário- Não era eu e tu, eramos nós.
Carolina- Lembro-me o quanto a minha mãe ficou preocupada quando começámos a namorar.
Mário- Sim, que nos obrigava a estar juntos á porta de casa, e ela ficava plantada na janela a olhar para nós.
Ri-mos.
Carolina- Mas depois adorou-te.
Mário- Quando eu chegava acho que ela ficava mais feliz que a minha própria namorada.
Carolina- Parvo. Tenho tantas saudades dela.
Mário- É normal, mas lembra-te que ela está sempre a olhar para ti.
Carolina- Já é tarde, vamos embora ?
Mário- Vamos. Levanta-te cabeçuda.
Carolina- Cabeçuda ? Vais ver quem é a cabeçuda.
Comecei a fazer-lhe cocegas.
Carolina- Agora diz lá quem é a cabeçuda.
Ele puxou-me e ficamos com os lábios muito próximos...

(Ps. Desculpem a demora, aconteceram coisas que me deixaram um pouco em baixo, e não andava nem com paciência nem com inspiração. Prometo que vou começar a escrever com mais regularidade.)

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