26 de outubro de 2011

Vidas Inocentes - Parte 26


*** Carolina ***


Apontava meio-dia no relógio quando abri os olhos. Olhei para o lado, e pensei " Cabrão, foste-te embora sem dizer nada". Levantei-me muito rápido para ter a certeza que os meus pensamentos estavam certo, cheguei á sala e ele estava deitado no sofá com a Maria, a ver desenhos animados.

Carolina- Maria, o pai ?
Maria- Mana, acho que ele foi ter com a Paula.
Daniel- Hey, que bom-humor matinal sua dorminhoca. Bom dia para ti também.
Sorri, e atei o cabelo.
Carolina- Bom-dia.
Fui até eles, dei um beijo na testa de cada um.
Carolina- Vais embora a que horas ?
Daniel- Isso é impressão minha ou é um despacho ?
Carolina- Idiota!
Daniel- Amor, eu não vou embora.
Carolina- Como assim ?
Daniel- Como assim o quê ? Vou ficar até me apetecer.
Riu-se, e eu ri-me com ele. Fui tomar banho, e arranjar-me.

*** Daniel ***


Sentia que aquela era a minha família. Pelo menos a Maria gostava de mim e do meu lado protector, a Carolina não sabia estar longe de mim, e o pai delas gostava que elas tivesse ali alguém que tomasse realmente conta delas. Não me apetecia ir, então ia simplesmente ficar.
Já tinha passado um bom tempo desde que a Carolina tinha ido para o banho, então resolvi ir ao quarto. Percebi que falava ao telemóvel. Decidi escutar, sem que percebesse.
Carolina- Sim, dona Ilda, assim que acabe as aulas vou para aí. E não tem que se preocupar porque vou para trabalhar e não para dar despesas.
Esperei que ela desligasse.
Carolina- Estás ai ?
Daniel- Não. Estás a ter uma miragem. Estavas a falar com quem ?
Carolina- Com uma amiga do meu pai, lá dos Açores.
Daniel- Já te disse que não vais a lado nenhum !
Carolina- Tu não podes decidir por mim. Também foste resolver a tua vida, e eu fiquei á tua espera. Então agora sê compreensivo, e espera por mim também.
Daniel- Se fores, vou contigo.
Carolina- Deixa-te de parvoíces, tens um filho para criar. Preocupa-te com isso agora, porque comigo não tens que te preocupar que eu sou sempre tua. Só te peço que enquanto eu cá não estiver tu olhes pela minha irmã e pelo meu pai.
Daniel- Amor ...
Carolina- E ainda falta imenso tempo. Eu só vou no verão. Até lá até podem acontecer milhões de coisas.
Daniel- Como tu casares comigo.
Ri-me, e abracei-a com muita força.
Carolina- Amo-te.
Daniel- Eu também, acredita.
Não queria mesmo que ela fosse. Tinha a perfeita noção que ela tinha lá uma vida parada. Ela sempre viveu nos Açores, ia encontrar pessoas do passado, e tudo podia acontecer, nada estava fora das hipóteses.

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