7 de outubro de 2011

Vidas Inocentes - Parte 22


*** Carolina ***


Fiz o esforço de acordar cedo, para têr tempo de ser eu a despertar a minha menina. Ela faz anos, e quero esteja tudo como ela deseja. Fui ter com ela á cama, e aninhei-me.

Maria- Já estás acordada mana ?
Carolina- É, parece que sim mana.
Maria- Mana, compraste-me uma prenda ?
Carolina- Comprei princesa.
Maria- É o quê ?
Carolina- Querias o quê ?
Maria- Mais do que tudo, queria cá a mãe. Mas mana, não precisas de me explicar de novo. Como não posso ter a mãe, queria a boneca que trás carrinho.
Carolina- E não é que acertei mesmo na boneca ?
Peguei nela ao colo, e levei-a á sala.
Maria- Mana, já não precisas de me pegar ao colo, eu já estou grande.
Carolina- Malandra, pensas que já és uma mulher ?
Soltámos umas gargalhadas, e enquanto ela ficou a abrir os presentes, eu fui-me arranjar. Hoje é dia de festa, e a Maria merece que esteja tudo na perfeição. Logo a seguir dei um jeito na casa, enquanto o meu pai dava banho á Maria. Ao almoço iamos fazer um churrasco, e daqui a pouco os convidados iam começar a chegar.
Tocaram á porta. Fui abrir a porta, e era a Sofia, o Rodrigo, e o David. Quando a Maria saiu do banho, ficaram entretidos a ver os presentes da Maria, e a vê-la a abrir aqueles que eles tinham trazido. Fui ajudar o meu pai, no quintal a montar a grelha.

Pai- Carolina, tens a certeza que quando acabar este ano queres voltar para os Açores ?
Carolina- Sim pai. Eu lá sou mais feliz. E enquanto estou por lá, vou arranjar as coisas para vocês irem para ao pé de mim.
Pai- Filha, tenho que te contar isto. Eu estou a apaixonar-me pela Paula, e não sei se estou preparado para enfrentar as memórias que deixei lá com a tua mãe.
Carolina- Tudo bem pai. Não me vou meter nisso, tu mereces ser feliz. E eu espero que te sintas preparado, para um dia me ires fazer companhia.
E com isto acabou a conversa. Na verdade, queria mesmo ir. Foi lá que deixei a minha vida. Estão lá os meus amigos de longa data, e o meu ex-namorado. Talvez até me fizesse bem, reviver tudo de novo.

Voltaram a tocar á porta, fui a correr. Quando cheguei lá, já a Sofia tinha aberto a porta. E vejo o Daniel, sentado no sofá abraçado á Maria. As lágrimas subiram-me aos olhos.
Daniel- Desculpa ter vindo sem avisar. Vim só dar os parabéns á pequena.
Carolina- Se quiseres, podes ficar para almoçar.
Daniel- Podemos falar, a sós ?
Fomos para o meu quarto.

Sentei-me na secretária, e esperei que ele começasse a falar.
Ajoelhou-se ao pé de mim,e pôs a mão na minha perna.
Daniel- Estás bem ?
Carolina- Estou.
Daniel- Eu não. Tenho tido tantas saudades tuas. E acredita, penso em ti todos os dias.
Carolina- Foi uma escolha tudo, isso tudo que falas, são só consequências.
Daniel- Não foi uma escolha, porque não me deram a escolher.
Carolina- Deixa-te de tretas Daniel. Tu deixaste-me sem uma mão para me levantar do chão. Deixaste-me no nada. E eu isso nunca te vou desculpar.
Daniel- Ainda estás a minha espera ?
Caiu-me uma lágrima.
Carolina- Acredita que sim, e vou esperar sempre. Mas no final do ano escolar, vou voltar para os Açores.
Daniel- Não faças isso Carolina.
Beijou-me, e deu-me um abraço.
Daniel- Eu pertenço-te. Juro que não me entrego a mais nenhuma.
Gosto tanto dele.

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