20 de setembro de 2011

Vidas Inocentes - Parte 19


***


Daniel- Espera Carolina. Desculpa-me, sou um estúpido.
Olhei para trás. E ele estava ali a pedir-me desculpa. Andei na direcção dele, e abracei-o.
Ele tirou os meus braços de volta do pescoço dele.
Daniel- Irrita-me essa tua maneira de ser. Acabei de ser um estúpido para ti, e só porque te pedi desculpa tu já me estás a abraçar. Tu és uma miúda forte, porque é que te deixas levar por mim ?
Consegue-me desiludir a toda a hora. Impressionante. Manti a calma.
Carolina- Conta-me o que se passa Daniel. Sê sincero comigo, pelo menos só hoje.
Ele bufou, e passou a mão pela cabeça. Sentou-se no muro e ficou pensativo.
Daniel- As coisas são complicadas Carolina. Eu tenho um negócio relacionado com drogas. E sabes... neste mundo nada se resolve com conversas. Tenho medo que te façam mal. És a pessoa mais próxima de mim neste momento. Não nos podem ver juntos.
Cruzei os braços, e fitei o olhar nele. E ele continuou o discurso dele.
Daniel- E esses mesmos negócios estão a dar para o torto. Deixa-me passar esta fase, e depois resolvemos tudo. Vou deixar a escola. Já tratei de tudo. Vou mudar de número. Mas juro, que quando tudo acabar eu vou-te procurar. A minha casa é a mesma. Procura a minha ajuda, mesmo só se tiveres de cabeça perdida.
Carolina- Estou agora de cabeça perdida.
Daniel- Estás com o coração perdido, mas isso resolve-se. Toma conta da Maria.
Beijou-me a face, e foi-se embora.

Foi-se embora como se fosse o vento a levá-lo. Estou parva com a minha vida. Resolve-se dum lado, mas descai do outro. Será que não tenho ninguém que permaneça do meu lado ? Preciso que me acudam.
Liguei ao meu pai, desfeita em lágrimas.
Carolina- Pai, vêm-me buscar a escola.
Pai- Que se passa ?
Carolina- Vêm-me buscar por favor.
Pai- Dois minutos estou ai filha. Não chores.
Corri para a entrada da escola. Esperei menos de cinco minutos, e ele chegou. Entrei para o banco de trás, e encostei-me á janela.

Pai- Que se passa ?
Carolina- Pai, por favor vamos embora. Vamos embora daqui. Não quero mais esta vida.
Pai- Tens que descansar, meu amor.
Não me lembro de mais. Só de acordar na minha cama, e ainda vestida. Já era de manhã. Não fui á escola, e também não saí do quarto.

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