7 de agosto de 2011

Vidas Inocentes - Parte 7


***


Daniel- Posso-te beijar ?
Carolina- Puderes até podes, mas não devias.
Ele aproximou a boca dele á minha, não estavam encostadas, mas pouco faltava. Quando estava pronta, virou a cara, e deu-me um beijo na bochecha. Saímos do quarto juntos, e fomos para a sala.
A Sofia, estava a dormir agarrada ao Rodrigo. Decidimos ir para o meu quintal. Ele sentou-se no muro, e acendeu um cigarro. Sentei-me ao lado dele.
Daniel- Fala-me de ti.
Carolina- O que queres saber ?
Daniel- Eu sei que não eras daqui. Eras de onde ? E porque é que vieste para cá ?
Carolina- Era dos Açores. Vim para cá, porque o destino obrigou-me. A minha mãe morreu, e então tivemos de nos mudar, para procurar uma vida melhor longe das lembranças.
Daniel- Longe das lembranças ? Como se isso se esquecesse, só por terem saído de lá.
Carolina- Não se esquece, como é óbvio. Uma mãe que sempre se dedicou aos filhos, e sempre tratou deles com amor, nunca se esquece. Mas facilita a dor.
Daniel- Pois, eu compreendo.
Carolina- Não compreendes não. No máximo podes entender, mas compreender ninguém compreende. Ninguém sabe o que é ficar sem a pessoa que mais amamos, de um momento para o outro.
Daniel- Compreendo-te. A minha avó também morreu há uns meses, e era a única que se preocupava comigo. A única que queria saber do meu bem-estar.
Carolina- Então os teus pais ?
Daniel- A minha mãe não sei dela já há muito tempo. E o meu pai passa a vida nas mulheres e no trabalho. Ás vezes sinto mesmo a falta da minha avó. Do amor dela.
Carolina- Que mau. A vida é muito injusta. Leva sempre as melhores pessoas.
Deu-me a mão, e apertou-a. Sorri-lhe, e ele beijou-me a testa.

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