27 de julho de 2011

Vidas Inocentes - Parte 3


***


C- Maria, anda cá ao colo da mana, que preciso de falar contigo.
Sentou-se muito carinhosamente, como sempre.
M- Do quê mana ? Eu fiz alguma coisa ?
C- Não. Não querias que eu te explicasse onde a mãe tinha ido e como é que ela olhava por nós ?
M- sim mana.
C- Olha princesa, a mãe não volta mais. Agora somos só nos as duas e o pai. Ela foi para o céu, onde os anjinhos estão. E lá ela olha por nós. Mas apesar de ela nunca mais voltar, ela vai ficar sempre aqui.
E pus-lhe a mão no peito. Penso que ela não ligou á minha conversa. Encostou a cabeça.
M- Está bem mana.
Não voltei a tocar no assunto, talvez mais tarde eu lhe voltasse a falar daquilo, não ia permitir que ela esquece-se a mãe. Nem queria isso. Quero que ela se lembre dela, assim como eu.
Dormimos juntas, tinha necessidade de estar perto dela. No dia seguinte foi a mesma rotina. Levar a Maria á creche e ir para a escola. Era os únicos sítios que conhecia. A creche da Maria, a zona onde vivia, e a minha escola. Entrei na sala, e sentei-me ao lado do meu colega. Teve a aula toda a olhar para mim. Já me estava a irritar. Quando saímos fui na direcção dele.
C- Olha queres-me dizer alguma coisa ?
D- Não, porquê ?
C- Então ficaste a aula toda a olhar para mim porquê ?
D- Na verdade queria dizer. Quer dizer, queria perguntar. Porque é que ontem ficaste chateada ?
C- Não fiquei chateada, simplesmente não gosto que se metam comigo. E até ficamos melhor assim. Tu na tua, e eu na minha, entendidos ?
D- És mesmo gira.
Olhei para ele com cara de quem lhe queria dar um bom tareão. Virei costas, e continuei a andar. Não gostava daquela escola. Era tudo tão antipático. Lá na minha antiga escola, tudo se conhecias, todos se davam bem. Mas também era uma escola mais pequena.
Hoje fiquei a saber, que a minha turma era a de eleição das miúdas do 5º ano. Tudo por causa do David. Ri-me tanto sozinha, á pala disto.
Enquanto me sentei lá pelos cantos da escola a ler, veio uma rapariga falar comigo.
- Olá miuda nova.- Sorriu
C- Tu és ?
- Eu sou a Sofia. Não sei se reparaste mas sou da tua turma. É um bocadinho impossível de reparares, porque nunca olhas para ninguém.
Ri-me. Era engraçada. Falava muito rápido, e fazia umas caretas giras.
C- Olá Sofia, eu sou a Carolina. Não é por mal, só acho que têm todos muita mania, e então mais vale nem dar importância.
S- Uau ! Ainda bem que partilhamos da mesma opinião. Anda, vou-te mostrar a gente fixe que há por estes lados.
Demos umas três voltas pela escola, que por acaso até era grande.
C- Sofia, quem é aquele rapaz ali ?
S- É o Daniel. Um dos mais populares aqui da escola, e mais antigo. Penso que tenha 19 anos, mas esquece é um alvo impossível.
C- Eu também não queria nada, só perguntei porque chamou a atenção.
Na verdade ele era lindo. Tinha o cabelo castanho claro, uns olhos pretos mas profundos, e depois um estilo que tirava o ar a qualquer uma. Mas felizmente, já meti na minha cabeça que não quero mais desilusões, então nem voltei a pensar nele.

4 comentários:

  1. continua, estou a adorar :)
    ( o título tem um pequeno erro xs )

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  2. aposto que ela voltou a pensar nele :p

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  3. A história está a desenrolar-se de uma forma maravilhosa! Já li a parte anterior e adorei, assim como adorei esta

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