15 de janeiro de 2011

3 # Carta para os teus pais


Mãe, desculpa por todas as situações horrorosas que passaste por minha causa, pelas vezes que ficaste com vergonha de mim, pelas vezes que não fiz o que devia fazer para te orgulhar. Eu antes de ser filha, sou humana, e todo o ser-humano erra. E eu sei que me perdoas, assim como eu te perdoou sempre que dizes coisas que não queres. És a única que reina cá dentro, e gostava de agradecer-te por tudo o que fizeste por mim. Podias escolher em deixar-me sozinha, e fingir que nunca me tiveste, mas em vez disso, acolheste-me, e fizeste tudo o que uma boa mãe pode fazer por um filho. Nunca to disse, mas amo-te.


Pai, gostava que fossemos mais próximos, gostava que tivesses mais presente, e gostava que soubesses tudo de mim, assim como um pai deve saber. Gostava que de vez em quando, tivesses uma palavra amiga para me dar, e um beijo com carinho para me oferecer. Gostava de sentir a tua mão nos meus ombros, quando está tudo a correr mal. Sinceramente, penso que nem sei como é o cheiro da tua mão, nem se é grande ou pequena. Nunca houve oportunidade para reparar nesses pequenos detalhes. Se tivesse tempo, fazia contigo, o que uma filha deve fazer com o pai. Dava-te oportunidade de estares presente no dia do meu primeiro passo, da minha primeira palavra, da primeira vez que atravessei a estrada sozinha, do meu primeiro dia na escola, da altura que achava que já era independente, de quando tinha crises de ciúmes, de quando chorava, de tudo. Mas se não quisesses estar, também não te obrigava. Espero que estejas tão arrependido quanto eu, de teres perdidos estas coisas bonitas que só acontecem uma vez. Mas vai haver um dia, o nosso dia, que vamos passear de mãos dadas, e eu vou ter orgulho de dizer que tenho o melhor pai do mundo.

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